Mercado de beleza no Brasil mira R$ 242 bilhões em 2026 e consolida o país entre os maiores do mundo

Diego Rodríguez Velázquez Por Diego Rodríguez Velázquez
Mercado de beleza no Brasil mira R$ 242 bilhões em 2026 e consolida o país entre os maiores do mundo

Setor de cosméticos e cuidados pessoais segue crescendo puxado pelo comércio eletrônico, mas enfrenta desafios com a reforma tributária.

O consumidor brasileiro segue apostando em produtos de beleza mesmo em um cenário econômico que exige cautela no orçamento doméstico. Levantamentos do setor indicam que o mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos deve faturar algo próximo de R$ 242,3 bilhões em 2026, representando cerca de 2% do PIB nacional e quase metade de todo o mercado latino-americano. O número reforça uma tendência que já vinha se desenhando nos últimos anos: o Brasil ocupa hoje uma das primeiras posições no ranking mundial do setor, atrás apenas de mercados como Estados Unidos e China. Accio

Mas o que explica esse crescimento contínuo, mesmo com a inflação pressionando outros setores do consumo? A resposta passa por comércio eletrônico, novos hábitos de autocuidado e uma disputa cada vez mais acirrada entre marcas nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, o setor observa de perto as mudanças trazidas pela reforma tributária, que pode alterar a forma como esses produtos chegam ao bolso do consumidor.

Por que o setor de beleza continua crescendo mesmo em tempos de aperto no orçamento

O primeiro trimestre de 2026 trouxe números que chamaram atenção de analistas do varejo. Segundo dados da consultoria Circana, o segmento de beleza premium avançou 10% no período, um desempenho superior à média global do setor. Esse resultado coloca o Brasil entre os mercados mais aquecidos da América Latina, concentrando sozinho parcela relevante das vendas da região. Para quem acompanha o varejo de perto, o dado confirma que a beleza deixou de ser vista como supérfluo e passou a ocupar um espaço mais estável dentro do orçamento familiar, mesmo em momentos de instabilidade econômica. Central do Varejo

Uma das explicações está na força do comércio eletrônico. Boa parte do faturamento das lojas especializadas em beleza já vem de canais digitais, e as vendas online do setor cresceram 21% no primeiro trimestre, impulsionadas principalmente pelos grandes marketplaces. Essa migração para o digital ampliou o acesso do consumidor brasileiro a marcas internacionais que antes dependiam de importação informal ou viagens ao exterior, ao mesmo tempo em que abriu espaço para marcas nacionais menores conquistarem visibilidade sem precisar de pontos físicos caros. O segmento de cuidados capilares também surpreendeu, com alta expressiva puxada pela popularização de rotinas complexas feitas em casa, como máscaras de tratamento, óleos finalizadores e ferramentas de alta performance para o cabelo.

O papel das redes sociais e das marcas criadas por influenciadoras

Outro fator que ajuda a entender esse movimento é a força das marcas assinadas por celebridades e criadoras de conteúdo digital. Esse tipo de grife já responde por uma parcela relevante das vendas de maquiagem no segmento premium, e as marcas brasileiras têm liderado essa disputa dentro do país. O fenômeno não é exclusividade do Brasil, mas ganhou contornos particulares por aqui, já que o consumidor local costuma manter um vínculo forte com criadores que acompanha diariamente nas redes sociais, o que se traduz em conversão mais rápida de seguidor para cliente.

Essa proximidade também explica por que categorias específicas, como os chamados kits de lábios, têm se destacado dentro do mercado de conjuntos de produtos. A combinação de gloss, batom e lápis labial, tendência apelidada de lip combo, virou um dos carros-chefe das vendas recentes. Já entre as regiões do país, embora São Paulo continue concentrando a maior fatia das vendas físicas, foram o Centro-Oeste e o Norte que registraram os maiores avanços proporcionais em maquiagem, sinal de que o crescimento do setor não está mais restrito aos grandes centros urbanos do Sudeste.

O que pode mudar com a reforma tributária e o que esperar dos próximos meses

Nem tudo, porém, é só expansão. O setor de beleza também está de olho nos efeitos da reforma tributária, que começou sua fase de testes em 2026 e deve impactar a formação de preços em toda a cadeia produtiva. Especialistas do próprio segmento têm alertado que a mudança pode elevar a carga de tributos sobre negócios de beleza, o que preocupa principalmente pequenas empreendedoras que atuam de forma independente, um perfil comum nesse mercado no Brasil.

Ainda assim, a expectativa para os próximos anos segue otimista. Projeções de mercado apontam que o faturamento do setor pode ultrapassar a marca de US$ 40 bilhões até 2027, com uma taxa de crescimento anual que gira em torno de 7% a 10%. Tendências como produtos multifuncionais, fórmulas sustentáveis e o uso de inteligência artificial para personalizar recomendações de skincare devem continuar guiando os lançamentos das marcas ao longo do ano. Para o consumidor, isso significa mais opções, mas também exige atenção redobrada às mudanças de preço que a reforma tributária pode trazer ao longo da transição até 2033.

O crescimento do mercado de beleza no Brasil reflete uma mudança real de comportamento, em que cuidar da aparência passou a dividir espaço com bem-estar físico e mental no dia a dia do consumidor. Ao mesmo tempo, o setor caminha em um momento de transição regulatória que ainda gera incertezas para quem empreende no ramo. Acompanhar como a reforma tributária vai se refletir nos preços das prateleiras, físicas e digitais, será um dos pontos mais importantes para entender os próximos capítulos dessa história.

Fontes: ecommercebrasil.com.br | centraldovarejo.com.br | accio.com | ecommercenapratica.com

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